segunda-feira, 16 de maio de 2016

Introdução

         “Qual é a pior modalidade de prisão: a mais cruel, a mais covarde, a mais inteligente, a mais eficiente?
         - É aquela em que o prisioneiro nem percebe que está preso. Que não vê as grades que o limitam. Que não sente as correntes que lhe imobilizam pés e mãos. Que não consegue nem mais enxergar o seu próprio coração, e quanto mais imaginar  uma outra vida além dos muros da cadeia! Que nem se lembra mais de sua identidade, seu potencial, sua herança, seu Amor, seu destino, seu sonho atávico de Liberdade... Que esqueceu o passado porque os processos de lavagem cerebral de que foi vítima resultaram em amnésia. E, que também, não tem futuro porque já não sabe sonhar... Este é o eficientíssimo sistema penitenciário praticado pela Loja Negra.”
         (“Resgate – As Lojas Branca e Negra confrontam-se na Batalha decisiva... A Hora é esta!”, Marisa Varela, Missão Órion Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1995, página 131.)

******

         “O tipo mais insidioso de cativeiro é aquele em que o prisioneiro não tem consciência de seus grilhões.”
         (“A Alquimia de Saint Germain – Fórmulas para sua autotransformação”, transcrito por Mark L. Prophet & Elizabeth Clare Prophet, Editora Nova Era-Record, Rio de Janeiro, 1996, 4ª edição, página 47.)

******

         “Duvido de que toda a filosofia do mundo seja capaz de suprimir a escravidão: no máximo mudar-lhe-ão o nome. Sou capaz de imaginar formas de servidão piores que as nossas porque mais insidiosas: seja transformando os homens em máquinas estúpidas e satisfeitas que se julgam livres quando são subjugadas, seja desenvolvendo neles, mediante a exclusão do repouso e dos prazeres humanos, um gosto tão absorvente pelo trabalho como a paixão da guerra entre as raças bárbaras. A essa servidão do espírito ou da imaginação, prefiro ainda nossa escravidão de fato.”
         (“Memórias de Adriano”, Marguerite Yourcenar, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1980, 16ª edição, páginas 121 e 122.)

******

         “- Na guerra – contestou o tecelão -, o forte escraviza o fraco, e na paz, o rico escraviza o pobre. Temos de trabalhar para viver e nos pagam salários tão mesquinhos que morremos. Trabalhamos o dia inteiro para eles e eles amontoam ouro em seus cofres, e nossos filhos desaparecem antes do tempo e os rostos dos que amamos tornam-se duros e maus. Pisamos as uvas e outros bebem o vinho. Semeamos o trigo e carecemos de pão em nossa própria mesa. Andamos acorrentados, embora ninguém veja as correntes e somos escravos, embora os homens nos chamem de livres.”
         (“Oscar Wilde – Obra Completa”, Editora Nova Aguilar S.A., Rio de Janeiro, 1980, 2ª edição, organizada, traduzida e anotada por Oscar Mendes, in “O Jovem Rei”, página 274.)

******

         Nestes tempos de comunicação instantânea via satélite, de imensa facilidade de acesso às informações através da Internet, de massificação dos conhecimentos em suas inumeráveis ramificações, não mais se justifica o desconhecimento de certos tipos de assuntos por parte do cidadão medianamente instruído. Por exemplo, quando falamos sobre o “carma”, torna-se quase desnecessário explicar que se trata de uma palavra oriental, significando “ação”, ou o fruto das ações positivas e negativas desta e de outras existências anteriores. No presente texto, usamos alguns termos, expressões e conceitos os quais não mereceram de nossa parte um aprofundamento, como o “Tantra” (= Yoga Sexual do Oriente). O leitor, ao se deparar com algo que desconheça, deverá recorrer aos Dicionários, Enciclopédias e outras fontes.
         Muitíssimo mais difícil será o mesmo compreender a extensão e a profundidade de nossa visão crítica da sociedade estruturada na superfície terrestre. Ele poderá entender o que iremos dizer, mas tal entendimento se revelará bastante superficial, carecendo do distanciamento necessário, coisa que poucos conseguem. É como o artista que, envolvido na produção de sua obra, não consegue formar um juízo de valores sobre a mesma, necessitando, para tanto, do crítico de arte, o qual, livre do processo criativo, pode ajuizar com mais acerto de seu valor. Para se ter uma idéia do alto nível de leitura que fazemos do mundo hodierno, freqüentemente ficamos perplexos ao ver como as pessoas se sentem tão agregadas à realidade, às instituições sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas estabelecidas. Mesmo às vezes não concordando com alguns ou com muitos de seus aspectos, no fundo tais indivíduos aceitam resignadamente o status quo. Consideram este “pesadelo” como se fosse algo “natural”, a única opção que existe. Não há nada mais anti-revolucionário que isto.
         Na guerra do Vietnã contra os norte-americanos, os vietnamitas do sul, para enfrentar aquele inferno, passaram a considerar a violência como se fizesse parte da “Harmonia Universal”. Em sua contundente crítica à selvagem e prepotente raça branca, no romance “Shikasta”, Doris Lessing fala do miserável vivendo dentro de caixotes de papelão, debaixo de viaduto, faminto, doente e esmolambado, achando que as coisas não são tão ruins assim!... Isto não é resignação: é medo e covardia. Como foi expresso nas epígrafes acima, a forma mais perfeita de escravidão é aquela em que o escravo não sabe que está acorrentado, sendo, assim, impossível de se libertar, pois acredita piamente que está livre.
         Fomos compreender realmente o que é o cristianismo quando mergulhamos na leitura de livros sobre o Budismo, o Hinduísmo e a Filosofia Oriental. Fomos entender o que na verdade é a democracia liberal depois de lermos os mais de vinte volumes da obra do integralista Plínio Salgado. E assim por diante. O que temos aqui e agora pela frente, caro leitor, não é a ÚNICA maneira de organizar a nossa vida: É A PIOR. O capitalismo é INADMISSÍVEL!... A democracia é INADMISSÍVEL!... O cristianismo é INADMISSÍVEL!... A mídia instituída é INADMISSÍVEL!... O sistema judiciário vigente é INADMISSÍVEL!... A educação atual é INADMISSÍVEL!... Conseguimos edificar uma sociedade completa e absolutamente INADMISSÍVEL!... Esta constatação liquida toda a discussão intelectual ora em curso. A verdade é esta: ESTÁ TUDO ERRADO!!!... A única coisa que necessita ser feita é substituir o que dispomos em mãos por algo melhor. Só isto. Nada mais. Opções existem e estão à disposição: cooperativismo, energia escalar, meditação, Tantra, etc. As transformações ESTRUTURAIS não ocorrem porque ninguém as quer, desde o Presidente dos EUA até um simples gari de Jacarta. Mudanças CONJUNTURAIS, que não atingem os cernes podres e malignos dos sistemas, são o mesmo que nada: é como tentar matar um imenso dragão com um canivete.
         Tal é o patamar em que nos encontramos. Cada vez mais distantes da identificação com os modelos que nos impuseram goela abaixo, sentimo-nos como se estivéssemos renunciando à cidadania de terráqueos para assumirmos a cidadania cósmica. Não podemos referendar nem pactuar com tanta insanidade tornada em paradigma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário