“Qual é a pior modalidade de prisão: a
mais cruel, a mais covarde, a mais inteligente, a mais eficiente?
- É aquela em que o prisioneiro nem
percebe que está preso. Que não vê as grades que o limitam. Que não sente as
correntes que lhe imobilizam pés e mãos. Que não consegue nem mais enxergar o
seu próprio coração, e quanto mais imaginar
uma outra vida além dos muros da cadeia! Que nem se lembra mais de sua
identidade, seu potencial, sua herança, seu Amor, seu destino, seu sonho
atávico de Liberdade... Que esqueceu o passado porque os processos de lavagem
cerebral de que foi vítima resultaram em amnésia. E , que também, não tem futuro porque já
não sabe sonhar... Este é o eficientíssimo sistema penitenciário praticado pela
Loja Negra.”
(“Resgate – As Lojas Branca e Negra
confrontam-se na Batalha decisiva... A Hora é esta!”, Marisa Varela, Missão
Órion Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1995, página 131.)
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“O tipo mais insidioso de cativeiro é
aquele em que o prisioneiro não tem consciência de seus grilhões.”
(“A Alquimia de Saint Germain –
Fórmulas para sua autotransformação”, transcrito por Mark L. Prophet &
Elizabeth Clare Prophet, Editora Nova Era-Record, Rio de Janeiro, 1996, 4ª
edição, página 47.)
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“Duvido de que toda a filosofia do
mundo seja capaz de suprimir a escravidão: no máximo mudar-lhe-ão o nome. Sou
capaz de imaginar formas de servidão piores que as nossas porque mais
insidiosas: seja transformando os homens em máquinas estúpidas e satisfeitas
que se julgam livres quando são subjugadas, seja desenvolvendo neles, mediante
a exclusão do repouso e dos prazeres humanos, um gosto tão absorvente pelo
trabalho como a paixão da guerra entre as raças bárbaras. A essa servidão do
espírito ou da imaginação, prefiro ainda nossa escravidão de fato.”
(“Memórias de Adriano”, Marguerite
Yourcenar, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1980, 16ª edição, páginas
121 e 122.)
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“- Na guerra – contestou o tecelão -,
o forte escraviza o fraco, e na paz, o rico escraviza o pobre. Temos de
trabalhar para viver e nos pagam salários tão mesquinhos que morremos.
Trabalhamos o dia inteiro para eles e eles amontoam ouro em seus cofres, e nossos
filhos desaparecem antes do tempo e os rostos dos que amamos tornam-se duros e
maus. Pisamos as uvas e outros bebem o vinho. Semeamos o trigo e carecemos de
pão em nossa própria mesa. Andamos acorrentados, embora ninguém veja as
correntes e somos escravos, embora os homens nos chamem de livres.”
(“Oscar Wilde – Obra Completa”,
Editora Nova Aguilar S.A., Rio de Janeiro, 1980, 2ª edição, organizada,
traduzida e anotada por Oscar Mendes, in “O Jovem Rei”, página 274.)
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Nestes tempos de comunicação
instantânea via satélite, de imensa facilidade de acesso às informações através
da Internet, de massificação dos conhecimentos em suas inumeráveis
ramificações, não mais se justifica o desconhecimento de certos tipos de
assuntos por parte do cidadão medianamente instruído. Por exemplo, quando
falamos sobre o “carma”, torna-se quase desnecessário explicar que se trata de
uma palavra oriental, significando “ação”, ou o fruto das ações positivas e
negativas desta e de outras existências anteriores. No presente texto, usamos
alguns termos, expressões e conceitos os quais não mereceram de nossa parte um
aprofundamento, como o “Tantra” (= Yoga Sexual do Oriente). O leitor, ao se
deparar com algo que desconheça, deverá recorrer aos Dicionários, Enciclopédias
e outras fontes.
Muitíssimo mais difícil será o mesmo
compreender a extensão e a profundidade de nossa visão crítica da sociedade
estruturada na superfície terrestre. Ele poderá entender o que iremos dizer,
mas tal entendimento se revelará bastante superficial, carecendo do
distanciamento necessário, coisa que poucos conseguem. É como o artista que,
envolvido na produção de sua obra, não consegue formar um juízo de valores
sobre a mesma, necessitando, para tanto, do crítico de arte, o qual, livre do
processo criativo, pode ajuizar com mais acerto de seu valor. Para se ter uma
idéia do alto nível de leitura que fazemos do mundo hodierno, freqüentemente
ficamos perplexos ao ver como as pessoas se sentem tão agregadas à realidade,
às instituições sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas
estabelecidas. Mesmo às vezes não concordando com alguns ou com muitos de seus
aspectos, no fundo tais indivíduos aceitam resignadamente o status quo.
Consideram este “pesadelo” como se fosse algo “natural”, a única opção que
existe. Não há nada mais anti-revolucionário que isto.
Na guerra do Vietnã contra os
norte-americanos, os vietnamitas do sul, para enfrentar aquele inferno,
passaram a considerar a violência como se fizesse parte da “Harmonia
Universal”. Em sua contundente crítica à selvagem e prepotente raça branca, no
romance “Shikasta”, Doris Lessing fala do miserável vivendo dentro de caixotes
de papelão, debaixo de viaduto, faminto, doente e esmolambado, achando que as
coisas não são tão ruins assim!... Isto não é resignação: é medo e covardia.
Como foi expresso nas epígrafes acima, a forma mais perfeita de escravidão é
aquela em que o escravo não sabe que está acorrentado, sendo, assim, impossível
de se libertar, pois acredita piamente que está livre.
Fomos compreender realmente o que é o
cristianismo quando mergulhamos na leitura de livros sobre o Budismo, o
Hinduísmo e a Filosofia Oriental. Fomos entender o que na verdade é a
democracia liberal depois de lermos os mais de vinte volumes da obra do
integralista Plínio Salgado. E assim por diante. O que temos aqui e agora pela
frente, caro leitor, não é a ÚNICA maneira de organizar a nossa vida: É A PIOR.
O capitalismo é INADMISSÍVEL!... A democracia é INADMISSÍVEL!... O cristianismo
é INADMISSÍVEL!... A mídia instituída é INADMISSÍVEL!... O sistema judiciário
vigente é INADMISSÍVEL!... A educação atual é INADMISSÍVEL!... Conseguimos
edificar uma sociedade completa e absolutamente INADMISSÍVEL!... Esta
constatação liquida toda a discussão intelectual ora em curso. A verdade é esta:
ESTÁ TUDO ERRADO!!!... A única coisa que necessita ser feita é substituir o que
dispomos em mãos por algo melhor. Só isto. Nada mais. Opções existem e estão à
disposição: cooperativismo, energia escalar, meditação, Tantra, etc. As
transformações ESTRUTURAIS não ocorrem porque ninguém as quer, desde o
Presidente dos EUA até um simples gari de Jacarta. Mudanças CONJUNTURAIS, que
não atingem os cernes podres e malignos dos sistemas, são o mesmo que nada: é
como tentar matar um imenso dragão com um canivete.
Tal é o patamar em que nos
encontramos. Cada vez mais distantes da identificação com os modelos que nos
impuseram goela abaixo, sentimo-nos como se estivéssemos renunciando à
cidadania de terráqueos para assumirmos a cidadania cósmica. Não podemos
referendar nem pactuar com tanta insanidade tornada em paradigma.
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