segunda-feira, 16 de maio de 2016

Capítulo 1

PONTAS  DE  LANÇAS

         “Uma corrente (nota minha: de trabalhadores ingleses desempregados) pretendia emigrar para outros países, a fim de tentar nova e aventurosa vida. Outra, porém, mais decidida e obstinada, que depois constituiria o núcleo de resistência denominado de ‘Pioneiros de Rochdale’ (pequena cidade industrial próxima de Manchester, que o autor destas linhas teria oportunidade de visitar em 1951), resolveu fincar pé e tomar providências mais concretas para subjugar a crise. Resolveram juntar os seus escassos recursos, amealhados vintém a vintém, para montar um armazém destinado à venda de comestíveis e vestuários, comprar ou construir casas para os associados, iniciar a fabricação de artigos que lhes pudessem dar trabalho, adquirir ou arrendar campos de cultura para diversificar a atividade profissional, indo mesmo ao extremo de pretender criar uma colônia, em que, exercitando todas essas atividades, pudessem instituir um regime próprio de governo.”
         (“ABC da Cooperação – Uma Iniciação Doutrinária”, Valdiki Moura, Ministério da Agricultura, Serviço de Informação Agrícola, Rio de Janeiro, 1958, página 10.)

******

         “(Assim, em 1929 foram detidos todos os membros, sem exceção, das comunidades estabelecidas entre Sótchi e Khosta. Tudo nelas funcionava ao modo comunista: a produção e a distribuição. E tudo tão honestamente como nunca o país o conseguirá fazer em cem anos. Mas ai: os seus membros eram demasiado cultos e instruídos em literatura religiosa, e a sua filosofia não era ateia, mas sim um misto de batista, tolstoiana e iogue. Uma comunidade assim era criminosa e não podia proporcionar felicidade ao povo.)”
         (“Arquipélago Gulag – 1918-1956”, Alexandre Soljenítsin, Círculo do Livro S. A., São Paulo, 1975, página 61.)

******

         Reportemo-nos ao artigo “Comunhão dos Homens – O Cooperativismo Através dos Tempos”, de Hélio Belik, revista “Planeta”, nº 112, de janeiro de 1982.
         Os incas e maias possuíam um sistema cooperativo, além de tribos indígenas brasileiras, que os europeus invasores acabaram por destruir. A revolução industrial na Europa desmantelou algumas experiências cooperativistas. As guildas francesas e os arteles russos foram extintos. O pai do cooperativismo inglês, Robert Owen, um crítico do sistema industrial, lançou em 1820 a “Liga pela Propaganda do Cooperativismo”, propondo a cooperação em lugar da competição capitalista. Fundou na Inglaterra vários armazéns cooperativos. Depois fez um experimento isolado numa fábrica, cujos lucros e despesas foram repartidos com os operários, mas que veio a falir. Na França, Charles Fourier lançou a ideia dos falanstérios, cidades planejadas para aproximadamente 300 famílias, que “ocupariam áreas correspondentes a uma légua quadrada, preferencialmente próximas a um rio, uma colina e um bosque. A habitação, assim como o consumo e o trabalho, seriam cooperativizados...” Nesta coletividade, segundo ele, viver-se-ia até os 140 anos, e seriam instaurados novos padrões morais, amorosos e sexuais, caracterizados por ampla liberdade de expressão. Outros ainda se destacaram na luta por alternativas sociais e econômicas, como Proudhon, autor da frase “a propriedade é um roubo”, e Etienne Cabet, que fundou uma fracassada colônia nos Estados Unidos. Houve a triunfante experiência cooperativista de Rochdale, a partir de 1844, “a pedra angular do cooperativismo moderno”. Em 1930, aconteceu em Viena, Áustria, o congresso da Aliança Cooperativa Internacional, com os seus sete princípios básicos. E o cooperativismo se espalhou por toda a Europa.
         No Brasil, no início do século XX, tal ideia veio com os emigrantes europeus, e se efetivou principalmente no sul. Em Santa Catarina foi fundada a Colônia Cecília, por anarquistas italianos, “que chegou a reunir mais de 20 mil colonos”, e que durou pouco tempo. José Saturnino Brito, autor do livro “A Cooperação é um Estado”, lançado em 1915, foi entre nós “o mais ardente propagandista do cooperativismo”. Em 1924 lançou o seu “comunismo santo”, baseado no cristianismo. Nos Estados Unidos e na Europa, a ideia das comunas foi reativada nos anos 60, com o movimento hippie, a contracultura e a expansão da filosofia oriental entre os jovens. Comunidades urbanas e rurais se erigiram por quase toda a parte. Uma das mais antigas e famosas é a de Findhorn, na Escócia. Aqui no Brasil também surgiram várias delas: Fraterunidade Vale Dourado, em Pirenópolis/GO; Aldeia Comunicampo, em Nobres/MT; Fazenda Mãe d’Água, em Piedade do Paraopeba/MG; e inúmeras outras, de norte a sul. A esmagadora maioria está no meio rural. Muitas desapareceram, devido a uma série de fatores. Algumas existem até hoje. Através do Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, periodicamente realizado, o movimento comunitário brasileiro se fortaleceu e expandiu. A despeito dos fracassos anteriores, jamais se deixou de tentar novas experiências comunais. (Ver, no Anexo 1, uma bibliografia sobre o assunto.)
         O mago inglês Aleister Crowley, nascido em 12 de outubro de 1875 e desencarnado em 5 de dezembro de 1947, fundou em 1920, na Sicília, Itália, a sua “ABADIA DE THELEMA”, palavra grega que significa “vontade”. Tratava-se de uma experiência de vida em comunidade para adeptos da Magia, embora fossem poucos. Realizou ali seções de orgia sexual e ritos eróticos, tentando libertar os seus discípulos das repressões religiosas e dos condicionamentos morais. O governo italiano fechou a “Abadia” e deportou Crowley de volta para a Inglaterra em 1923.
         O guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, ou Osho, nascido em 11 de dezembro de 1931, iluminado em 21 de março de 1953, desencarnado em 19 de janeiro de 1990, autor de inúmeros livros, criou em 1974, em Poona, na Índia, uma comunidade espiritual, alternativa, terapêutica, educacional, etc., a “COMUNIDADE INTERNACIONAL OSHO”, uma das maiores do mundo. Entre 1981 e 1985, ele tentou construir uma cidade comunitária no deserto do Oregon, Estados Unidos, chamada “RAJNEESHPURAM”, mas o governo norte-americano interferiu, provocando a dissolução do projeto. Osho ficou 12 dias detido, incomunicável, chegando a ser maltratado fisicamente, sob a acusação de “violações de emigração”. Mas, o objetivo real era destruir a comunidade. Foi multado em uma elevada quantia e obrigado a abandonar os EUA. Logo em seguida a comuna do Oregon se dissolveu e dispersou.
         No Brasil, destaca-se a obra desenvolvida por Trigueirinho em Carmo da Cachoeira/MG, na “COMUNIDADE FIGUEIRA”. Ele é autor de vários livros. Desenvolve-se ali muitos tipos de trabalhos: monastérios espiritualistas, meditação, agricultura orgânica, alimentação naturista, ufologia, curas, serviço assistencial, etc.
         Um amigo gravou em vídeo uma reportagem de televisão e depois nos emprestou a fita. Trata-se de um indivíduo chamado Alírio Covas, músico, que transformou a sua fazenda (cremos que no Estado de Goiás) em uma reserva intocável. Ele expulsou posseiros, trocou tiros com garimpeiros e acabou ganhando, por causa disso, o apelido de “Coronel da Ecologia”. É um mulato de meia idade. Em sua propriedade, no alto de um monte, o “Morro do Cristal”, mostrou os buracos abertos pelos garimpeiros. Ele pretende construir uma abóbada gigantesca no topo da montanha, a qual irá abrigar a “CATEDRAL DE CRISTAL”. A subida será feita através de esteiras rolantes, e haverá shoppings centers esotéricos ladeando esta rampa móvel. Ele pensa em fazer quartos e apartamentos dentro da serra de cristal para as pessoas meditarem. O projeto tem até uma planta preparada. Disse o proprietário: “Eu não penso em dinheiro, quanto vai custar. Eu penso: como é possível fazer?”
         O arquiteto, ufólogo e paranormal Luiz Gonzaga Scortecci de Paula, nascido em 18 de outubro de 1950, criou no final da década de 70 a CONTATO – Associação Brasileira de Ufologia Avançada, para abrigar o “PROJETO ALVORADA – Rede Piloto Universal de Estações Interplanetárias”, com sede em Brasília. O objetivo era a construção de 12 Estações Interplanetárias, autogeridas, auto-suficientes, em locais remotos do território nacional, com altitude mínima de mil metros, para alojar técnicos, cientistas, sensitivos, operários, etc., visando contactar civilizações extraterrestres, desenvolver amplas pesquisas e apoiar em vários níveis as coletividades terrestres rurais e urbanas vizinhas, considerando a proximidade dos eventos apocalípticos e catastróficos que se abaterão sobre a Terra. Eram estes os locais das 12 Estações Celestes: 1) São João da Aliança/GO; 2) Taguatinga de Goiás/GO; 3) Morro do Chapéu/BA; 4) Vitória da Conquista/BA; 5) Olhos D’Água/MG; 6) Conceição do Mato Dentro/MG; 7) São Lourenço/MG; 8) Uberaba/MG; 9) Rio Verde/GO; 10) Ceres/GO; 11) Barra do Garças/MT; 12) Cuiabá/MT. Além destes 12 lugares, o Projeto Alvorada considerava a existência de um 13º ponto, sobre o qual falaremos mais adiante. Infelizmente, devido a inúmeros problemas e imensas dificuldades, nenhuma destas Estações chegou na época a ser construída. Atualmente, o Scortecci continua atuando na mesma área ufológica, paranormal, esotérica e alternativa. Está empenhado no        “PROJETO AURORA”, nos estudos sobre a “Amasofia”, objetivando a construção de algumas “Ecovilas”, usando o nome de “Ben Daijih”. Vide o site: http://www.aurora.org.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário