PONTAS DE LANÇAS
“Uma
corrente (nota minha: de trabalhadores ingleses desempregados) pretendia
emigrar para outros países, a fim de tentar nova e aventurosa vida. Outra,
porém, mais decidida e obstinada, que depois constituiria o núcleo de
resistência denominado de ‘Pioneiros de Rochdale’ (pequena cidade industrial
próxima de Manchester, que o autor destas linhas teria oportunidade de visitar
em 1951), resolveu fincar pé e tomar providências mais concretas para subjugar
a crise. Resolveram juntar os seus escassos recursos, amealhados vintém a
vintém, para montar um armazém destinado à venda de comestíveis e vestuários,
comprar ou construir casas para os associados, iniciar a fabricação de artigos
que lhes pudessem dar trabalho, adquirir ou arrendar campos de cultura para
diversificar a atividade profissional, indo mesmo ao extremo de pretender criar
uma colônia, em que, exercitando todas essas atividades, pudessem instituir um
regime próprio de governo.”
(“ABC da
Cooperação – Uma Iniciação Doutrinária”, Valdiki Moura, Ministério da
Agricultura, Serviço de Informação Agrícola, Rio de Janeiro, 1958, página 10.)
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“(Assim, em
1929 foram detidos todos os membros, sem exceção, das comunidades estabelecidas
entre Sótchi e Khosta. Tudo nelas funcionava ao modo comunista: a produção e a
distribuição. E tudo tão honestamente como nunca o país o conseguirá fazer em
cem anos. Mas ai: os seus membros eram demasiado cultos e instruídos em
literatura religiosa, e a sua filosofia não era ateia, mas sim um misto de
batista, tolstoiana e iogue. Uma comunidade assim era criminosa e não
podia proporcionar felicidade ao povo.)”
(“Arquipélago Gulag – 1918-1956” ,
Alexandre Soljenítsin, Círculo do Livro S. A., São Paulo, 1975, página 61.)
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Reportemo-nos ao artigo “Comunhão dos
Homens – O Cooperativismo Através dos Tempos”, de Hélio Belik, revista
“Planeta”, nº 112, de janeiro de 1982.
Os incas e maias possuíam um sistema
cooperativo, além de tribos indígenas brasileiras, que os europeus invasores
acabaram por destruir. A revolução industrial na Europa desmantelou algumas
experiências cooperativistas. As guildas francesas e os arteles russos foram
extintos. O pai do cooperativismo inglês, Robert Owen, um crítico do sistema
industrial, lançou em 1820 a
“Liga pela Propaganda do Cooperativismo”, propondo a cooperação em lugar da
competição capitalista. Fundou na Inglaterra vários armazéns cooperativos.
Depois fez um experimento isolado numa fábrica, cujos lucros e despesas foram
repartidos com os operários, mas que veio a falir. Na França, Charles Fourier
lançou a ideia dos falanstérios, cidades planejadas para aproximadamente 300
famílias, que “ocupariam áreas correspondentes a uma légua quadrada,
preferencialmente próximas a um rio, uma colina e um bosque. A habitação, assim
como o consumo e o trabalho, seriam cooperativizados...” Nesta coletividade,
segundo ele, viver-se-ia até os 140 anos, e seriam instaurados novos padrões
morais, amorosos e sexuais, caracterizados por ampla liberdade de expressão.
Outros ainda se destacaram na luta por alternativas sociais e econômicas, como
Proudhon, autor da frase “a propriedade é um roubo”, e Etienne Cabet, que
fundou uma fracassada colônia nos Estados Unidos. Houve a triunfante
experiência cooperativista de Rochdale, a partir de 1844, “a pedra angular do
cooperativismo moderno”. Em 1930, aconteceu em Viena, Áustria, o congresso da
Aliança Cooperativa Internacional, com os seus sete princípios básicos. E o
cooperativismo se espalhou por toda a Europa.
No Brasil, no início do século XX, tal
ideia veio com os emigrantes europeus, e se efetivou principalmente no sul. Em Santa Catarina foi
fundada a Colônia Cecília, por anarquistas italianos, “que chegou a reunir mais
de 20 mil colonos”, e que durou pouco tempo. José Saturnino Brito, autor do
livro “A Cooperação é um Estado”, lançado em 1915, foi entre nós “o mais
ardente propagandista do cooperativismo”. Em 1924 lançou o seu “comunismo
santo”, baseado no cristianismo. Nos Estados Unidos e na Europa, a ideia das
comunas foi reativada nos anos 60, com o movimento hippie, a contracultura e a
expansão da filosofia oriental entre os jovens. Comunidades urbanas e rurais se
erigiram por quase toda a parte. Uma das mais antigas e famosas é a de
Findhorn, na Escócia. Aqui no Brasil também surgiram várias delas:
Fraterunidade Vale Dourado, em Pirenópolis/GO; Aldeia Comunicampo, em
Nobres/MT; Fazenda Mãe d’Água, em Piedade do Paraopeba/MG; e inúmeras outras,
de norte a sul. A esmagadora maioria está no meio rural. Muitas desapareceram,
devido a uma série de fatores. Algumas existem até hoje. Através do Encontro Nacional
de Comunidades Alternativas, periodicamente realizado, o movimento comunitário
brasileiro se fortaleceu e expandiu. A despeito dos fracassos anteriores,
jamais se deixou de tentar novas experiências comunais. (Ver, no Anexo 1, uma
bibliografia sobre o assunto.)
O mago inglês Aleister Crowley,
nascido em 12 de outubro de 1875 e desencarnado em 5 de dezembro de 1947,
fundou em 1920, na Sicília, Itália, a sua “ABADIA
DE THELEMA”, palavra grega que significa “vontade”. Tratava-se de uma
experiência de vida em comunidade para adeptos da Magia, embora fossem poucos.
Realizou ali seções de orgia sexual e ritos eróticos, tentando libertar os seus
discípulos das repressões religiosas e dos condicionamentos morais. O governo
italiano fechou a “Abadia” e deportou Crowley de volta para a Inglaterra em
1923.
O guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh,
ou Osho, nascido em 11 de dezembro de 1931, iluminado em 21 de março de 1953,
desencarnado em 19 de janeiro de 1990, autor de inúmeros livros, criou em 1974,
em Poona, na Índia, uma comunidade espiritual, alternativa, terapêutica,
educacional, etc., a “COMUNIDADE INTERNACIONAL OSHO”, uma das maiores do mundo.
Entre 1981 e 1985, ele tentou construir uma cidade comunitária no deserto do
Oregon, Estados Unidos, chamada “RAJNEESHPURAM”,
mas o governo norte-americano interferiu, provocando a dissolução do projeto.
Osho ficou 12 dias detido, incomunicável, chegando a ser maltratado
fisicamente, sob a acusação de “violações de emigração”. Mas, o objetivo real
era destruir a comunidade. Foi multado em uma elevada quantia e obrigado a
abandonar os EUA. Logo em seguida a comuna do Oregon se dissolveu e dispersou.
No Brasil, destaca-se a obra
desenvolvida por Trigueirinho em Carmo da Cachoeira/MG, na “COMUNIDADE FIGUEIRA”. Ele é autor de vários livros. Desenvolve-se
ali muitos tipos de trabalhos: monastérios espiritualistas, meditação,
agricultura orgânica, alimentação naturista, ufologia, curas, serviço
assistencial, etc.
Um amigo gravou em vídeo uma reportagem
de televisão e depois nos emprestou a fita. Trata-se de um indivíduo chamado
Alírio Covas, músico, que transformou a sua fazenda (cremos que no Estado de
Goiás) em uma reserva intocável. Ele expulsou posseiros, trocou tiros com
garimpeiros e acabou ganhando, por causa disso, o apelido de “Coronel da
Ecologia”. É um mulato de meia idade. Em sua propriedade, no alto de um monte,
o “Morro do Cristal”, mostrou os buracos abertos pelos garimpeiros. Ele
pretende construir uma abóbada gigantesca no topo da montanha, a qual irá
abrigar a “CATEDRAL DE CRISTAL”. A
subida será feita através de esteiras rolantes, e haverá shoppings centers
esotéricos ladeando esta rampa móvel. Ele pensa em fazer quartos e apartamentos
dentro da serra de cristal para as pessoas meditarem. O projeto tem até uma
planta preparada. Disse o proprietário: “Eu não penso em dinheiro, quanto vai
custar. Eu penso: como é possível fazer?”
O arquiteto, ufólogo e paranormal Luiz
Gonzaga Scortecci de Paula, nascido em 18 de outubro de 1950, criou no final da
década de 70 a
CONTATO – Associação Brasileira de Ufologia Avançada, para abrigar o “PROJETO ALVORADA – Rede Piloto
Universal de Estações Interplanetárias”, com sede em Brasília. O objetivo
era a construção de 12 Estações Interplanetárias, autogeridas,
auto-suficientes, em locais remotos do território nacional, com altitude mínima
de mil metros, para alojar técnicos, cientistas, sensitivos, operários, etc.,
visando contactar civilizações extraterrestres, desenvolver amplas pesquisas e
apoiar em vários níveis as coletividades terrestres rurais e urbanas vizinhas,
considerando a proximidade dos eventos apocalípticos e catastróficos que se
abaterão sobre a Terra. Eram estes os locais das 12 Estações Celestes: 1) São
João da Aliança/GO; 2) Taguatinga de Goiás/GO; 3) Morro do Chapéu/BA; 4)
Vitória da Conquista/BA; 5) Olhos D’Água/MG; 6) Conceição do Mato Dentro/MG; 7)
São Lourenço/MG; 8) Uberaba/MG; 9) Rio Verde/GO; 10) Ceres/GO; 11) Barra do
Garças/MT; 12) Cuiabá/MT. Além destes 12 lugares, o Projeto Alvorada
considerava a existência de um 13º ponto, sobre o qual falaremos mais adiante.
Infelizmente, devido a inúmeros problemas e imensas dificuldades, nenhuma
destas Estações chegou na época a ser construída. Atualmente, o Scortecci continua
atuando na mesma área ufológica, paranormal, esotérica e alternativa. Está
empenhado no “PROJETO AURORA”, nos estudos sobre a “Amasofia”, objetivando a
construção de algumas “Ecovilas”, usando o nome de “Ben Daijih”. Vide o site:
http://www.aurora.org.br/
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