segunda-feira, 16 de maio de 2016

Capítulo 6

AS  FINALIDADES

         “Só quando o panorama espiritual do planeta atingir os momentos cruciais da provação, a alma coletiva brasileira despertará, sacudida pelo impacto da necessidade de uma reação de conjunto, capaz de permitir a realização do trabalho para o qual então vos sentireis predestinados, sem sombra de dúvida.”
         (“Brasil, Terra de Promissão”, Ramatís, psicografado por América Paoliello Marques, Editora Eco, Rio de Janeiro, s.d., página 126.)

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         “ – E pensa que Shangri-Lá se salvará?
         - Talvez. Não podemos esperar nenhuma mercê, mas há uma tênue esperança de que sejamos esquecidos. Aqui ficaremos com nossos livros, nossa música e nossas meditações, conservando as frágeis elegâncias de uma época moribunda e buscando a sabedoria de que os homens hão de precisar quando tiverem esgotado todas as suas paixões. Temos uma herança a preservar e transmitir. Tiremos dessas coisas todo o prazer que pudermos, até que venha esse dia.”
         (“Horizonte Perdido”, James Hilton, Abril Cultural, São Paulo, 1980, página 171.)

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         “Devem saber que não estão aqui por desígnio próprio. Foram conduzidos até aqui, passo a passo, por caminhos diferentes, através de muitos acidentes aparentes. Mas foi sempre o dedo de Deus que os chamou. Não constituem a única comunidade que foi assim reunida. Há muitas outras, espalhadas pelo mundo inteiro, nas florestas da Rússia, nas selvas do Brasil, em lugares com que jamais sonharam. São todas diferentes, porque as necessidades e hábitos dos homens são diferentes. Contudo, são todos iguais, porque seguiram o mesmo dedo que os chamava e foram unidos pelo mesmo amor. Não fizeram isso por si mesmos. Não podiam, assim como vocês também não podiam, sem um impulso especial de graça. Receberam esse impulso por uma razão. Mesmo enquanto eu falo, neste momento, o inimigo começa a invadir a terra, pregando a destruição! Nos tempos terríveis que agora se abatem sobre nós, vocês foram escolhidos para manter acesa a pequena chama do amor, para cuidar das sementes do bem neste pequeno vale, até o dia em que o Espírito irá enviá-los para acender outras velas numa terra escura e plantar novas sementes numa terra mergulhada em trevas.”
         (“Os Fantoches de Deus”, Morris West, Editora Record, Rio de Janeiro, páginas 365 e 366.)

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         Descortinamos, a priori, cinco grandes objetivos principais para a “COLÔNIA NOVA TERRA”, sem considerar a questão dos eventos apocalípticos:
1.     Auto-suficiência em termos agropecuários, alimentícios, energéticos e tecnológicos.
2.     Preservação ecológica do meio ambiente.
3.     Assistência social à população local.
4.     Evolução humana, psíquica e espiritual.
5.     Contato com os seres extra e intraterrestres positivos.
         Existe na região do Norte e Nordeste de Minas Gerais uma comunidade economicamente de baixa renda, carente de ajuda, dentro do chamado “bolsão de pobreza” do Vale do Jequitinhonha, a qual apresenta certa riqueza cultural. Pretendemos dar-lhe assistências diversas, e ao mesmo tempo resgatar os seus valores humanos. Inúmeras melhorias podem ser levadas a esta população, de maneira racional e alternativa:
1.     A despeito de algumas resistências que certamente iremos encontrar, objetivando a auto-subsistência dos componentes deste núcleo rural, tentaremos incentivar a agricultura, propondo-lhes o plantio de mais frutas, legumes, verduras e cereais, sem o uso de adubação química, utilizando técnicas naturais e biodinâmicas, incluindo-se sistemas econômicos de irrigação, comercialização de excedentes, aquisição e confecção de implementos agrícolas, expansão da pecuária, etc.
2.     No sentido de elevar o nível nutritivo da sua alimentação, principalmente quanto às crianças, divulgaremos o valor energético de produtos como casca de ovo, farelos, brotos e óleos, de fácil produção, assim como as técnicas de conservação de alimentos, etc.
3.     Criação de um tanque de piscicultura, para a produção comunitária de peixes comestíveis, enriquecendo, desta forma, a alimentação local.
4.     Cultivar um herbário, com as ervas e plantas medicinais do lugar, em comum acordo com os raizeiros, valorizando este recurso terapêutico alternativo, de grande importância em face das dificuldades de assistência médica tradicional.
5.     Promover a ida, semanal ou quinzenalmente, de médicos e dentistas, para atender gratuitamente aos doentes, esclarecendo preventivamente as pessoas com aconselhamentos higiênicos, etc.
6.     Cuidar para que as crianças tenham acesso às escolas, apoiando os professores e motivando os pais; zelar pela conservação dos prédios; angariar materiais escolares; efetuar cursos a eventuais interessados, como, por exemplo, costura, culinária, mecânica e informática; alfabetização de adultos; etc.
7.     Como várias casas não possuem banheiro, nem sequer uma “casinha”, obter o consentimento dos moradores para a construção de fossas e sanitários decentes.
8.     Usar técnicas alternativas e baratas para a construção de moradias, lançando mão de materiais facilmente disponíveis na natureza, especialmente para os mais carentes. Exemplo: máquina de fabricação de tijolos, a baixo custo.
9.     Trabalhar com energias alternativas, dado que parte dos habitantes não possui condições financeiras para a aquisição de postes-padrão e a instalação de luz elétrica.
10.           Esclarecer, especialmente as crianças, quanto à necessidade de preservação do meio ambiente, evitando os desmatamentos, as queimadas, a caça e a pesca predatória, junto ao IBAMA local.
11.           Assistência social de forma geral: remédios, roupas, agasalhos, brinquedos, alimentos, objetos úteis, móveis, apoio aos idosos e aos mais carentes, curas alternativas, prestação de serviços diversos. Esclarecer e auxiliar.
12.           Se se revelar possível, de acordo com a receptividade, introduzir neste núcleo urbano-rural atendimentos psicológicos e psiquiátricos, atividades artísticas e culturais,  ensinamentos naturistas e espiritualistas, etc.
         Paralelamente a este trabalho de alto valor social, que visa inclusive impedir o êxodo rural, desenvolveremos outras atividades, absorvendo as grandes potencialidades da região, em vários níveis, tais como:
1.     Utilizar o SÍTIO em Olhos D’Água como um “posto avançado” de pesquisa. Se não houver luz elétrica, mandar instalar. Colocar microcomputadores com acesso à Internet, linhas de telefone e outros meios de comunicação, como rádio-amador. Através da Internet, estar em contato direto com Universidades e Centros de Estudos. Qualquer pesquisador que desejar ir até a região, achará um ponto de apoio seguro no SÍTIO em questão.
2.     Biólogos, Botânicos, Zoólogos, Ecologistas e outros profissionais da área, encontrarão farto material de pesquisa nas matas adjacentes, que provavelmente permanecem relativamente preservadas.
3.     Geólogos e Mineralogistas terão à disposição um riquíssimo solo, que faz parte da Serra do Espinhaço.
4.     Cientistas Sociais, Antropólogos e Historiadores poderão analisar a população local, em sua maioria descendente de escravos, aqueles que extraíram do solo as fabulosas riquezas diamantíferas, que foram escoadas para as nações europeias nos séculos XVIII e XIX, riquezas essas que ajudaram a financiar a “Revolução Industrial”. Atualmente, esses netos de escravos estão excluídos dos mecanismos de produção e consumo da sociedade capitalista. Não é justo.
5.     Espeleólogos ficarão interessados ao tomarem conhecimento de várias cavernas e rios subterrâneos existentes na região.
6.     Arqueólogos e Paleontólogos disporão de amplas possibilidades de pesquisa de campo, numa área imensa e quase inexplorada.
7.     É preciso dar especial ênfase ao estudo das ervas e plantas medicinais, registrando os conhecimentos empíricos dos raizeiros locais, evitando que se perca esta fonte de cultura popular, colocando os dados à disposição dos fitoterapeutas interessados.
8.     Especialistas em Lingüística, Folclore, Arte Popular e Artesanato encontrarão rico material de investigações entre a população rural e urbana.
9.     É importante montar escritório, laboratório e biblioteca, para dar o necessário apoio a todos os que nos procurarem.
         Retornando à COLÔNIA, quanto ao pessoal, necessitaremos de profissionais das mais diversas áreas: pedreiros, marceneiros, carpinteiros, eletricistas, bombeiros, serralheiros, mecânicos, agrônomos, laticinistas, apicultores, veterinários, técnicos de eletrônica e informática, fotógrafos, garimpeiros, engenheiros, arquitetos, desenhistas, artesãos, enfermeiros, médicos, dentistas, psicólogos, terapeutas naturais, artistas, etc., etc., etc. As obras pioneiras são para as pessoas FORTES e EQUILIBRADAS física e psicologicamente. Qualidades ideais: amor, dedicação, desprendimento, espírito de renúncia e sacrifício, tolerância, temperança, simplicidade, disciplina, trabalho, esforço, resistência, coragem, garra, entusiasmo, energia, instinto, intuição, maturidade, etc. Numa autêntica Comunidade não há divisão de tarefas. Todos se bastam e convivem para crescerem espiritualmente. Cada um só tem obrigações em relação a si próprio. O que for feito em favor de terceiros ou do grupo, deverá ser feito por Amor. Não há que se cobrar a participação e nem a obrigação de colaborar. Todos deverão estar ali por conta e risco próprio, individual. A Comunidade que não admitir como naturais e necessárias as discussões e os desentendimentos, estará fadada à desestruturação, pois há, nestas horas de atrito aberto, mais espírito comunitário em jogo, do que num sorriso hipócrita. Porém, as pendências devem ser resolvidas.
         Com relação à vida interna na COLÔNIA, há que se considerar os seguintes aspectos:
1.     Algumas coisas devem ser proibidas, como drogas, álcool, tabagismo e jogos de azar. Entretanto, alguém pode querer fazer uso do chá da oasca. Alguns cidadãos da COLÔNIA talvez se disponham a produzir cervejas e vinhos artesanais e com baixo teor alcoólico. Como também outros podem desejar de vez em quando sentir o prazer de fumar um cigarro de palha com fumo puro e sem química. Daí se vê que, nesta questão, a rigidez não é aconselhável.
2.     A carga horária de trabalho diário individual deverá ser reduzida ao que for possível, sobrando mais tempo para o lazer e as atividades superiores.
3.     Evitar-se-á ao máximo remédios alopáticos e alimentos industrializados.
4.     Não se permitirá a caça sob forma alguma, desde que estará vedado o consumo de carne vermelha e branca. Tolerar-se-á a ingestão de peixes, especialmente no caso daqueles que estiverem saindo do regime carnívoro, para não haver choque orgânico. Somente em situações de emergência é que se retornará a tal hábito negativo. O regime normal tenderá ao ovolacteovegetariano. A soja substitui plenamente as carnes.
5.     Não se deve matar cobras, aranhas e escorpiões, mas aprisioná-los e devolvê-los depois à natureza, longe da COLÔNIA, num sinal de respeito pela Vida.
6.     Toda planta ou árvore que tiver de ser morta, deve-se primeiro conversar com os seres elementais responsáveis por ela, esclarecendo-os que tal ato é necessário, pedindo licença e desculpando-se.
7.     O dinheiro, dentro da comunidade, não terá valor algum, pois tudo será de todos, e cada qual disporá dos bens e produtos que necessitar. Ele só servirá fora, na sociedade comum, enquanto a mesma estiver de pé.
8.     Estará definitivamente proibida, sem apelação, a entrada de padres e pastores cristãos, pois o cristianismo é um dos valores falidos da Era de Peixes, dos quais procuraremos nos livrar. É o mesmo princípio que nos move a banir o dinheiro.
         Não haverá entre nós nenhum tipo de repressão sexual, seja ela moral, religiosa ou espiritualista. Os indivíduos adultos que se dispuserem a compor o agrupamento humano da COLÔNIA, ao chegarem lá, obviamente levarão consigo uma série de condicionamentos negativos nesta área, pois serão o produto do meio insano de onde vieram. Haveremos de ter alguns bons psicólogos e professores de Bioenergética, para promover o desbloqueio afetivo e corporal de todos, visando uma população saudável e equilibrada, que não transfira para as crianças suas neuroses, psicoses e complexos. Estas crescerão livres e cercadas de amor, e não mais conhecerão as doentias noções de que o corpo e o sexo são coisas sujas. A liberdade sexual será um lema. Os cidadãos que manifestarem propensões a certos desvios como sodomia, sado-masoquismo, pedofilia, homossexualismo, etc., deverão receber tratamento terapêutico. Se, ainda assim, insistirem nestas aberrações, serão convidados a se retirarem. A forma de união matrimonial dependerá da vontade individual: monogamia, poligamia, poliandria. No caso das uniões múltiplas, (um homem com duas ou mais mulheres; uma mulher com dois ou mais homens), isto dependerá do comum, consciente e voluntário acordo entre as partes, sem que haja nenhum atrito. Todo excesso será corrigido. O estudo do Tantra e da Magia Sexual, a prática de exercícios bioenergéticos, e a ausência de moralismo ultrapassado, fornecerá a todos nós os elementos suficientes para uma vida amorosa e sexual plena, harmônica e gratificante. Recomendamos a leitura dos romances “A Ilha”, de Aldous Huxley, e “A Ilha das Três Sereias”, de Irving Wallace, além de todas as obras de Wilhelm Reich e de Bioenergética.

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